soapstore:

something holy inside you wants to get out but you can’t let it

(via viajante42)


Quero te levar para as bordas do império


Alimente abelhas viajantes

Muitas em quilômetros distante

Cansadas trabalhadoras,

Pólens radiantes

Chances excitantes

Alimente as abelhas viajantes.

Estão atrás das escassas flores

Acumulam altura kilometros jornadas

Para alimentará caixa da vida.


a-starl3ss-sky:

Poder

Você me olhou chocado
E com lágrimas nos olhos
E juntou forças para perguntar:
“Por quê?”
Você nunca pensou que a resposta
Fosse tão óbvia.
“Porque eu pude.”

Meu querido,
Eu senti a adrenalina
Correr nas minhas veias
Como se ela tivesse implorado para estar ali
Por séculos.
Eu senti o medo alheio aumentar
E, junto com ele,
O meu poder se erguer também.

Os gritos ensurdecedores
Que preenchiam meus ouvidos
Eram todos de louvor.
Os destroços caindo
De todos os edifícios
Eram tambores de triunfo.
A chuva que caía
Era água benta
Abençoando meu novo legado.

E então, após te responder,
Uma risada escapa da minha boca.
Uma risada genuína
De puro deleite
De sua expressão pasma.
Você nunca pensou que eu faria
Uma coisa dessas.

Eu, que sempre te obedeci.
Eu, que sempre te agradei.
Eu, que sempre fiz tudo para você,
Tudo por você.
Você nunca pensou
Que eu tivesse a capacidade
De destruir o seu mundo.
E você nunca pensou que eu faria isso
Apenas para mostrar para você
Que quem manda em mim
Sou eu.

~Misty


image

Senti a ausência pesada não fazer sentido algum se poetizada. Isso é só um desabafo: sinto falta de quem amo, sinto falta de alguns amores.

Olhei umas vezes pro relógio, pensando no drama da folga em que vou ter horário pra mim. Sempre penso: Hoje talvez eu não durma o quanto quero, mas quantas respiradas consigo dar em oito minutos?

Aprender a concentrar o descanso é uma habilidade estranha, mas de todo modo, agradecer por poder ter oito minutos respirando é o que me forma o que sou hoje. Sinto saudades de poder passar duas horas despretensiosas conversando… De ficar jogando papo pro ar de olho só no fundo de outros olhos que eu gosto sem ter que pensar num despertador. E é só um desabafo mesmo.




garatuja:

tive um sonho místico.


com deusas das mais diversas mitologias

criaturas

seres

bem aqui na minha rua

e lá de longe, na fazenda grande do retiro, com suas casas de tijolos uma em cima da outra, lá atrás: o mar de salvador

com um azul que não é desse mundo


e o olhavam para mim, acordavam feito estátuas adormecidas

espreguiça, alonga

do muro do jardim da minha vó

eu fiquei atenta

sabendo que tudo poderia se esvair muito rápido, só bastava eu pensar muito sobre aquilo que estava acontecendo bem na minha frente. era tempo de apenas aceitar e agir com naturalidade, como naquele livro da galáxia, quando arthur dent começa a voar.


Serra da Barriga.

Analiso ali, saindo do serviço, do outro lado da porta, meio que escondida na sombra do poste de luz amarela, a válvula brilhante.

Mudando, brilhante, de canto, tão rapidamente quanto meu olhar, enquanto minha gerente preenche o vazio que ronda minha cabeça com vozes sobre o pagamento e o próximo investimento…

O barulho enorme da válvula rodopiando lá fora disputa minha atencao mas sei que quero dar essa atenção pra fala dela. Respiro fundo e volto o controle sobre o umbigo. Me viro levemente pra esquerda olhando pro fundo do salão enquanto apago as luzes, dividido entre ela trancando as portas e a rua.

Escuto a voz cansada dizer: Meu marido tem procurado válvulas em todo lugar e só acha elas longe de mim, ando cansada e com saudades. Percebi que ela estava olhando com os olhos de dentro pra válvula reluzente piscando na casa dela já deitada no sofá enquanto eu olhava pra minha válvula que não estava mais atrás do poste… Espera. Onde está ela? Ah, sim…

Nossa, respondo, é foda, é difícil a gente ter ânimo nesse tempo pra mudar essas coisas né, espero estar aqui se puder ajudar em algo. Mas de fato, a resposta que sooa medíocre não abala as expectativas; pq nos olhos dela ela já percebeu que minha frequência, entre estar entre a porta e o salão sem conseguir ir embora tanto quanto ela mas sem tirar a atenção da rua (que contém os caminhos pras válvulas brilhantes); não levaria muito mais do que a isso.

Nós estávamos cansados e o lucro continuava acontecendo, mais um dia sorteados pela roleta para chegarmos em casa longe da fome, do frio, do desemprego, da liberdade e dos brilhos, mas sem dúvidas honestos com as propostas de cada um e enfim, satisfeitos.

Um grande banquete de cabeças e vozes rodopiava. Pessoas com pressa, pessoas com calma, se esbaldando no doce açúcar que nos movia operantes para o quase inevitável fundo do abismo da falta de ecodiversidade enquanto microvidas gritavam nos nossos estômagos ao terem suas paredes celulares queimadas por cristais tão minúsculos que as rasgam e secam.

Os dias acabam e as pessoas que atendiamos ficavam na gente. Secavam e podiam ser trituradas até virarem algum pó que equilibrasse a acidez do nosso solo. Clientes-Cal. Quase um pacto estranho onde depois de uma dose de carinho e boa atenção um “Fica 35,90” dito em um fôlego só, sem tonalidade crescente pra uma família desconhecida selasse um constante e vigoroso compromisso de dados transferidos e imperfeições corrigidas.

O banquete comendo solto por cabeças e cabeças e nós eramos o principal prato na linha de frente, questionando com qual tempero seríamos jantados…

Olhando no fundo do olho de um cliente, via que seu olhar fixo no cardápio que nos separava fazia diminuir a necessidade de lembrar da alma do ser humano ali presente que eu, por ventura encarnava. Não havia necessidade de saber das minhas agruras ou verdades. Olhei pra baixo com a postura aberta, ágil, receptiva e dominante, pronto para ir para o próximo pedido. Mecanizado, aflito por dentro, porque disputava com firmeza a atenção com as minhas cintilantes válvulas, que reluziram nos brincos da mulher que acompanhava a mesa… Nos gizes do garoto que rabiscava uma enorme folha em branco….

Neste hiato entre a cera do giz raspando as fibras gramadas do papel, deixando rastros de gordura colorida; e os meus olhos pulsantes caçando de relance na expressão do cliente por onde passeava seu olhar no cardápio, buscando já no repertório alguma sugestão de consumo; das gotas de suor deixando para trás sais e roubando temperatura da minha testa; da conversa despretensiosa das mesas ao redor e do acordo quase-que-inconsciente dos servos de saírem de cena após acatados os pedidos para então fazerem o enquadramento secundário de seus próprios filmes (mesmo que esse papel exaustivo durasse 9, 10 ou 11 horas algumas vezes sem registro); senti brilhar ali naquele papel branco e na felicidade do menino rabiscando e no formato de cereja de plástico pendurado na orelha daquela bem-vestida mulher a Válvula Brilhante do Escape.

Quase quando eu ia alcançar, palhacear algum segundo com a criança que é a Criação (que havia demorado MT menos do que sete dias mas que em sete dias o ser humano recriou de maneira tão ritualística) ardeu explosiva e todos os sentimentos foram interrompidos e ao mesmo tempo iniciados, numa já não primeira rejeição de muitas que aconteceram e acontecerão entre a humanidade enquanto o cliente solicitou: Quero o pedido de R$ 19,90; o 245, traz gelado por favor com mais dois copos e um isopor.

(a personagem principal é excluída da cena)

(o diálogo está ausente porque não imagino o que se discutiu naquela mesa).

No camarim, com um outro palhaço que fumava o da Philip Morris, reclamei dos cigarro industrializados: Vê se anda parando com essa porra fedida aí, ô Mamona, tabaco se cresce em qualquer buraco, é tipo praga, se você plantar ele vem. É mais cheiroso e fica mais barato… Fora que vocês que tão fumante vão cagar e caga fumando, empestia o banheiro inteiro, não vê o paiero do Léo? Não causa esse estrago aí.

A resposta jocosa e cansada, foi tão medíocre quanto os dólares voando naquele solo de trabalho do Capital, naquele ritual de fantasias de dinheiro, enquanto a válvula dele, bem mais opaca, sólida e com a máxima “Deus é fiel” impressa nela pelo Banco Real (rs Banco Central), um simples “Ah Thiagão vá sifude vákkk” encerrou nosso fôlego momentâneo.

Sozinho no cubículo que ficava atrás da cozinha, só com o teto aberto e paredes mal-acabadas, a clarabóia me serviu de passagem para a lua: era lua crescente… Os ânimos estavam realmente efervescendo.

Por mais que tentássemos perseguir nossas válvulas, era delicioso e estranho perceber como a pressão sempre voltava e ganhava força, até a nossa morte.

Se fechamos a válvula, voltamos à vida. Se escapamos aluma pressão (que é energia) por ela, nos tornamos vivos, ou seja, não mortos. Não totalmente dissolvidos em gás, escapados pela morte da organização de nossa matéria, único escape total possível e permanente da personalidade.

E assim, analiso ali, saindo do serviço, do outro lado da porta, meio que escondida na sombra do poste de luz amarela, a válvula brilhante, mudando de canto, tão rapidamente quanto meu olhar, enquanto minha gente preenchia o vazio que ronda minha cabeça com vozes sobre o pagamento e o próximo investimento.

Algo meio vertiginoso no qual estamos vivos.

Rezo minha obrigação e oriento minha cabeça com os espíritos que ouviu minha avó, com a crux silenciosa que resolveu carregar meu avô, com a Mãe, o Pai, a terra que piso danço e faço poeira levantar e meus amigos, em busca de manter a diversidade de pé, a minha vida atenta e forte, presente e o ciclo que ronda acima de mim, sustentável.

Tenho certeza, com essa análise e o que sei da história, qual a Capital e qual o Capital do Brasil.


deathandmysticism:
“Alexander Anderson, Memento Mori, 19th century
”

deathandmysticism:

Alexander Anderson, Memento Mori, 19th century

(via ullages)


Toda bandeira tem seu peso

Todo pano rasga fácil

Dá pra saber que a paixão tem custo

E poucos ficam quando o débito vem vermelho



mymedicineis:

Ontem uma amiga me disse que foi rever A Chegada e apesar de tudo de ruim que aconteceu, ainda faria o mesmo pela amizade. E no dia anterior, a minha prima mais uma vez disse, num áudio sonolento, que o tempo é invenção humana, uma ideia inexistente e controladora, algo assim. Acho que ontem mesmo discuti com ela sobre memórias, interpretações simultâneas, e as possibilidades da replicação ao contar uma história - comigo, por mim, muda tudo; com e por ela, fica igual. Ontem, ou hoje, já que a madrugada não pertence a ninguém, conversamos sobre a repercussão de sentimentos de alguns anos atrás. 2014 a 2018, quatro anos inteiros. Lembro de escrever bilhetes, também numa madrugada, um deles dizendo que dragões não foram feitos para amar. Ai de mim, cinco anos atrás me comoarando a um dragão… Queria eu.

Hoje tuítei bobagens, com saudades do passado. Um passado cheio de surtos, gritos, tristezas, violência, mas tudo isso foi esquecido no momento, só lembrei das manhãs divertidas, dos intervalos corridos entre uma sala e outra, dos minutos entre aulas, e dos cinquenta de horário vago.

Me senti egoísta por não dizer o mesmo de imediato. As possibilidades e conceitos de viagem no tempo variam muito. Sei que o filme não é sobre isso, é sobre saber, e fazer. Hoje, apesar de querer reviver algumas cenas, não voltaria para 2012. Se voltasse, estragaria tudo com o que sei e com o que não sei até hoje.

O não saber também pode ser muito cruel… Admito que fui, e também me arrependo, mas não sei como faria diferente.

E sim, talvez eu só esteja escrevendo esse pensamento num blog em meio a uma pandemia depois de setenta dias em casa como mais um registro de marcação de tempo que, sendo sincera, vai ser esquecido por aqui em pouco tempo, já que memória não é meu forte.

Mas talvez eu só precise reviver algumas coisas na cabeça. Na realidade seria demais pra mim.

Realmente eu também não sei como faria diferente

(via garatuja)


Rasgou meu peito

Essa coisa de escrever pra aliviar os campos roxos da morte sempre deu um ar de ipê rasgando o céu durante a primavera.

Apertado contra o mundo, as desgraças parecem passar rolando quando abro a válvula de escape e toda pressão corre pra fora; descobrir válvulas que não te desgastem quando você volta para a vida quotidiana torna-se exemplo de compromisso e responsabilidade com as pessoas diárias que te rodeiam e aguardam.

Mas parece realmente insano buscar equilíbrio e afeto num mundo sem raíz. A cidade tem suas raízes apodrecidas.

Me apaixonei por uma flordoguarujá que vi rasgando o asfalto certo dia desses de alguns anos atrás e ali está todo o significado: mato brabo rasga até asfalto.